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Portraits - Guadir Elias Jorge

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Guadir nasceu no dia 30 de janeiro de 1921, filho do quitandeiro libanês Elias e da Dona Rosa. Quando o pai morreu, o irmão mais velho assumiu a quitanda na Av. João Pessoa. Guadir, aos 20 anos teve que amputar uma perna devido a problemas circulatórios. Um ano depois, foi obrigado a amputar a outra. O jovem, preso a uma cadeira de rodas, perdeu o chão.

Deprimido e sem perspectivas, teve a sorte de ser socorrido por um vizinho famoso. Na década de 1940, Sioma Breitman (que morava na casa ao lado da de Guadir), e era amigo da família, tornara-se o mais importante retratista da cidade.  Sioma – o mais requisitado fotógrafo de casamentos e retratos da capital – compadecido da situação do amigo, decidiu ajudar e viu na fotografia, a solução do problema.
 

Mesmo na cadeira de rodas, nada impedia que Guadir fizesse fotos de estúdio e processasse o material, montando o seu próprio laboratório fotográfico.


Sioma comprou uma câmara Voigtlander 6 x 9, usada , e ensinou Guadir a usá-la . Orientou o rapaz também nos segredos da revelação de filmes e confecção de cópias.


Guadir Renasceu. Em pouco tempo estava participando de concursos e salões de fotografia no Brasil e no exterior, recebendo medalhas, diplomas e troféus.


Especializou-se em Portraits e recrutava figuras populares para posar para sua câmera. Duas das suas fotos mais premiadas foram a do torcedor folclórico do Grêmio chamado de Bombardão e a outra cujo título é o Velho Clown.
 

O fotógrafo cadeirante foi alvo de reconhecimento em inúmeras matérias publicadas na imprensa gaúcha, Numa delas, o jornalista e escritor Josué Guimarães disse: “Ele soube compensar as agruras do destino com o espírito forte que até inveja nos causa. Quando acho que as coisas não me correm bem, e por isso me abato, lembro-me daquele moço da Tenda João Pessoa e o humor me volta.”.


Guadir Elias Jorge morreu no dia 8 de abril de 1961, aos 40 anos. feliz e reconhecido, vitimado pela doença que lhe privou dos membros inferiores – mas não de lutar pela vida.

Ricardo Chaves (Kadão)

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